A água doce não está distribuída uniformemente pelo globo. Sua distribuição depende dos ecossistemas que compõem o território de cada país. Segundo o Programa Hidrológico Internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), na América Do Sul encontra-se 26% do total de água doce disponível no planeta e apenas 6% da população mundial.
O Brasil registra elevado desperdício: de 20% a 60% da água tratada para consumo se perde na distribuição, dependendo das condições de conservação e das redes de abastecimento. Além dessa perda de água no caminho entre as estações de tratamento e o consumidor, o desperdício também é grande nas nossas residências.
As indústrias respondem por cerca de 22% do consumo total de água, utilizando grandes quantidades de água potável. Dependendo do ramo industrial e da tecnologia adotada, a água resultante dos processos industriais pode carregar resíduos tóxicos, como metais pesados e restos de materiais em decomposição. Estima-se que a cada ano acumulem-se nas águas de 300 mil a 500 mil toneladas de dejetos provenientes das indústrias.
Mas não são apenas as indústrias químicas que têm esse efeito no meio-ambiente. Quando a água contaminada de, por exemplo, uma fábrica de salsichas, é lançada nos rios e no mar, pode provocar a morte dos peixes. Mesmo quando sobrevivem, podem acumular em seu organismo substâncias tóxicas que causam doenças, se forem ingeridos por seres humanos.
Uso Agrícola
As chuvas nem sempre são suficientes para suprir a umidade necessárias para a produção agrícola. A alternativa para os produtores é a irrigação, atividade que consome mais de 2/3 da água doce utilizada no planeta. Além do alto consumo, em grande parte provocado pelo mal aproveitamento, que leva ao desperdício, a agricultura também afeta drasticamente a qualidade dos solos e dos recursos hídricos. Os agrotóxicos e fertilizantes empregados na agricultura podem ser carregados para os corpos d’água, causando a contaminação, tanto da água superficial quanto da subterrânea.
Cenário de Instabilidade Mundial
Vivemos em um cenário de instabilidade mundial – tanto política e social quanto economicamente. A Inglaterra acaba de deixar a União Europeia; guerras no Oriente Médio; grande fluxo de imigrantes dos países do norte da África para a Europa; crise política e econômica no Brasil; ascensão da direita conservadora no mundo; reformas e protestos a respeito das leis trabalhistas na França; crescimento dos índices de violência mundiais e muitos outros conflitos. Todos esses acontecimentos, particulares da época na qual vivemos, causam uma instabilidade que é agravada por fatores constantes na história, como a concentração de capital nas mãos do 1% mais rico do planeta (50% de toda a riqueza do mundo pertence ao 1% mais rico, enquanto os outros 99% da população fica com os outros 50%), a mais-valia, a exploração do trabalhador, o sistema educacional vigente que trabalha para manter o status quo exatamente como está, etc.
Podemos passar horas tendo devaneios sobre de quem é a culpa da crise hídrica e ambiental do planeta, ou podemos ir direto ao ponto: o atual meio de produção e de acumulação de riquezas vigente, o capitalismo.
O cenário de instabilidade é agravado pela crise ambiental, hídrica e energética, que amadureceu em função das relações predatórias que o capitalismo estabelece com a natureza, desafiando a sustentabilidade dos recursos naturais que ancoram o processo produtivo e evidenciando a irracionalidade do modo e das relações de produção burguesas, que visam exclusivamente a maximização dos lucros. “O capitalismo gera o seu próprio coveiro.” O capitalismo é um modo de produção que, para sobreviver, precisa necessariamente de lucro. Para atingir esse lucro, esse modo de produção necessita de recursos naturais como fonte de produção. O capitalismo se estabelece pelos recursos naturais. O proprietário dos meios de produção precisa de recursos para produzir e por em ciclo seu jogo econômico. O problema do meio ambiente, em um ponto de vista marxista, poderia estar inteiramente ligado a um problema do capitalismo. O capitalismo destrói o meio ambiente. Quanto mais uma indústria cresce, mais ela precisa retirar do solo uma quantidade de material que não é recomposto devidamente. Basta lembrar o desmatamento que está acontecendo no Brasil e está afetando o sudeste brasileiro.
A classe proletária deve ser conscientizada sobre esses conflitos e acontecimentos e, ao mesmo tempo, acordar para a realidade da exploração que o trabalho assalariado impõe sobre ela e usar isso a seu favor para, finalmente, acabar com o sistema de opressão social, política, econômica e ambiental mais fatal de todos os tempos: o capitalismo.
A Indústria que mais contribui para o Aquecimento Global
O Brasil é o maior exportador de carnes do mundo, o que corresponde a 24% da sua produção. Nosso país possuía, em 2006, cerca de 190 milhões de cabeças de gado e a demanda por carne bovina não é só externa, mas interna também. Com certeza, isso gera muitos lucros para o nosso país.
Mas, o que dizer dos impactos sobre o meio ambiente? Será que o consumo de carne agrava problemas ambientais, tais como o efeito estufa e o aquecimento global?
Desmatamento: as florestas são derrubadas a fim de abrir pastagens para os rebanhos. Para limpar os terrenos, são realizadas queimadas, o que emite os gases-estufa e representa o maior fator de emissão desses gases no Brasil. Em terras brasileiras, isso ocorre na Amazônia e no Cerrado, sendo que 75% do desmate na Amazônia e 56% do desmate no Cerrado estão associados à pecuária. Além de gerar esses gases, o desmatamento destrói habitats naturais, provoca a extinção de espécies, causa a degradação ou erosão dos solos, desencadeia inundações, diminui os recursos hídricos (porque possuirá menos tamponamento florestal), diminui a ocorrência de chuvas, entre outros problemas.
Queimadas: as queimadas também são realizadas periodicamente para renovar a vegetação das pastagens, emitindo mais gases-estufa.
Digestão dos Animais: a fermentação entérica, isto é, a formação de gases no sistema digestivo do boi, emite metano para a atmosfera, por via oral e fecal.
Outros: existem outros fatores que são mais difíceis de serem mensurados, mas que também contribuem em muito para o aquecimento global, tais como o transporte da carne, do gado, de rações para os rebanhos, emissões dos solos de pastagens degradadas ou mal manejadas, emissões vindas da produção da ração, emissões do processamento industrial primário da carne que será consumida e assim por diante.
Tudo isso representou um total de 812,9 toneladas de CO2 emitidos pela pecuária brasileira no ano de 2008. Assim, quanto maior for o consumo de carne, maior será o rebanho criado e, consequentemente, maior o prejuízo para o meio ambiente.














