sexta-feira, 24 de junho de 2016

A distribuição e o consumo de água doce no Mundo e no Brasil

            O volume total de água na Terra não aumenta nem diminui, é sempre o mesmo. A água ocupa aproximadamente 70% da superfície do nosso planeta, mas 97,5% dessa água é salgada. Assim, apenas 2,5% da água no mundo é doce. Dessa parcela de água doce, 68,9% encontra-se nas geleiras, calotas polares ou em regiões montanhosas; 29,9% em águas subterrâneas; 0,9% compõe a umidade do solo e dos pântanos e apenas 0,3% constitui a porção superficial da água doce presente em rios e lagos.
            A água doce não está distribuída uniformemente pelo globo. Sua distribuição depende dos ecossistemas que compõem o território de cada país. Segundo o Programa Hidrológico Internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), na América Do Sul encontra-se 26% do total de água doce disponível no planeta e apenas 6% da população mundial.
O Brasil registra elevado desperdício: de 20% a 60% da água tratada para consumo se perde na distribuição, dependendo das condições de conservação e das redes de abastecimento. Além dessa perda de água no caminho entre as estações de tratamento e o consumidor, o desperdício também é grande nas nossas residências.



Uso Industrial

              As indústrias respondem por cerca de 22% do consumo total de água, utilizando grandes quantidades de água potável. Dependendo do ramo industrial e da tecnologia adotada, a água resultante dos processos industriais pode carregar resíduos tóxicos, como metais pesados e restos de materiais em decomposição. Estima-se que a cada ano acumulem-se nas águas de 300 mil a 500 mil toneladas de dejetos provenientes das indústrias.
              Mas não são apenas as indústrias químicas que têm esse efeito no meio-ambiente. Quando a água contaminada de, por exemplo, uma fábrica de salsichas, é lançada nos rios e no mar, pode provocar a morte dos peixes. Mesmo quando sobrevivem, podem acumular em seu organismo substâncias tóxicas que causam doenças, se forem ingeridos por seres humanos.


Uso Agrícola

              As chuvas nem sempre são suficientes para suprir a umidade necessárias para a produção agrícola. A alternativa para os produtores é a irrigação, atividade que consome mais de 2/3 da água doce utilizada no planeta. Além do alto consumo, em grande parte provocado pelo mal aproveitamento, que leva ao desperdício, a agricultura também afeta drasticamente a qualidade dos solos e dos recursos hídricos. Os agrotóxicos e fertilizantes empregados na agricultura podem ser carregados para os corpos d’água, causando a contaminação, tanto da água superficial quanto da subterrânea.



Cenário de Instabilidade Mundial

              Vivemos em um cenário de instabilidade mundial – tanto política e social quanto economicamente. A Inglaterra acaba de deixar a União Europeia; guerras no Oriente Médio; grande fluxo de imigrantes dos países do norte da África para a Europa; crise política e econômica no Brasil; ascensão da direita conservadora no mundo; reformas e protestos a respeito das leis trabalhistas na França; crescimento dos índices de violência mundiais e muitos outros conflitos. Todos esses acontecimentos, particulares da época na qual vivemos, causam uma instabilidade que é agravada por fatores constantes na história, como a concentração de capital nas mãos do 1% mais rico do planeta (50% de toda a riqueza do mundo pertence ao 1% mais rico, enquanto os outros 99% da população fica com os outros 50%), a mais-valia, a exploração do trabalhador, o sistema educacional vigente que trabalha para manter o status quo exatamente como está, etc.
Podemos passar horas tendo devaneios sobre de quem é a culpa da crise hídrica e ambiental do planeta, ou podemos ir direto ao ponto: o atual meio de produção e de acumulação de riquezas vigente, o capitalismo.
              O cenário de instabilidade é agravado pela crise ambiental, hídrica e energética, que amadureceu em função das relações predatórias que o capitalismo estabelece com a natureza, desafiando a sustentabilidade dos recursos naturais que ancoram o processo produtivo e evidenciando a irracionalidade do modo e das relações de produção burguesas, que visam exclusivamente a maximização dos lucros. “O capitalismo gera o seu próprio coveiro.” O capitalismo é um modo de produção que, para sobreviver, precisa necessariamente de lucro. Para atingir esse lucro, esse modo de produção necessita de recursos naturais como fonte de produção. O capitalismo se estabelece pelos recursos naturais. O proprietário dos meios de produção precisa de recursos para produzir e por em ciclo seu jogo econômico. O problema do meio ambiente, em um ponto de vista marxista, poderia estar inteiramente ligado a um problema do capitalismo. O capitalismo destrói o meio ambiente. Quanto mais uma indústria cresce, mais ela precisa retirar do solo uma quantidade de material que não é recomposto devidamente. Basta lembrar o desmatamento que está acontecendo no Brasil e está afetando o sudeste brasileiro.
              A classe proletária deve ser conscientizada sobre esses conflitos e acontecimentos e, ao mesmo tempo, acordar para a realidade da exploração que o trabalho assalariado impõe sobre ela e usar isso a seu favor para, finalmente, acabar com o sistema de opressão social, política, econômica e ambiental mais fatal de todos os tempos: o capitalismo.


A Indústria que mais contribui para o Aquecimento Global

              O Brasil é o maior exportador de carnes do mundo, o que corresponde a 24% da sua produção. Nosso país possuía, em 2006, cerca de 190 milhões de cabeças de gado e a demanda por carne bovina não é só externa, mas interna também. Com certeza, isso gera muitos lucros para o nosso país.
              Mas, o que dizer dos impactos sobre o meio ambiente? Será que o consumo de carne agrava problemas ambientais, tais como o efeito estufa e o aquecimento global?

              Desmatamento: as florestas são derrubadas a fim de abrir pastagens para os rebanhos. Para limpar os terrenos, são realizadas queimadas, o que emite os gases-estufa e representa o maior fator de emissão desses gases no Brasil. Em terras brasileiras, isso ocorre na Amazônia e no Cerrado, sendo que 75% do desmate na Amazônia e 56% do desmate no Cerrado estão associados à pecuária. Além de gerar esses gases, o desmatamento destrói habitats naturais, provoca a extinção de espécies, causa a degradação ou erosão dos solos, desencadeia inundações, diminui os recursos hídricos (porque possuirá menos tamponamento florestal), diminui a ocorrência de chuvas, entre outros problemas.


Queimadas: as queimadas também são realizadas periodicamente para renovar a vegetação das pastagens, emitindo mais gases-estufa.


Digestão dos Animais: a fermentação entérica, isto é, a formação de gases no sistema digestivo do boi, emite metano para a atmosfera, por via oral e fecal.



Outros: existem outros fatores que são mais difíceis de serem mensurados, mas que também contribuem em muito para o aquecimento global, tais como o transporte da carne, do gado, de rações para os rebanhos, emissões dos solos de pastagens degradadas ou mal manejadas, emissões vindas da produção da ração, emissões do processamento industrial primário da carne que será consumida e assim por diante.

              Tudo isso representou um total de 812,9 toneladas de CO2 emitidos pela pecuária brasileira no ano de 2008. Assim, quanto maior for o consumo de carne, maior será o rebanho criado e, consequentemente, maior o prejuízo para o meio ambiente. 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Lixões, Aterros Controlados, Aterros Sanitários

     Raramente encontramos alguém que saiba explicar o processo que o lixo passa a partir do momento que ele é retirado de nossas casas. Ainda menor é o número de pessoas que sabem explicar as diferenças entre os destinos finais dos resíduos, mais especificamente, lixões e aterros. Nesse artigo falaremos sobre essas dessemelhanças, assim como suas consequências ambientais, sociais bem como seu contexto no Brasil.


Lixões:

   O melhor jeito de introduzir o assunto seria explicando sobre os clássicos lixões. Os mais comuns ao se pensar em reservatórios de lixo, estes são a opção mais rudimentar quanto ao tratamento de lixo pois, primeiramente, ele não possui nenhum. Em lixões, os resíduos são despejados diretamente no solo, expostos a todos os tipos de fatores externos como animais e catadores, dispensando doenças e causando imenso dano ao ambiente.








Como não há processos para a preservação do terreno em um lixão, o líquido resultante da decomposição do lixo, o chorume, penetra diretamente no solo, podendo chegar ao lençol freático, contaminando a fonte de água da determinada cidade onde se encontra.


Aterros Sanitários:

     Os aterros são mais equipados para lidar com os problemas que o lixo possa causar. Estes estão divididos em aterros controlados e aterros sanitários. O último representa um pedaço de terra corretamente preparado, que segue todas as recomendações técnicas para evitar derramamentos e propagação de gases na atmosfera.


Primeiramente, a terra designada, onde muitas vezes é cavado um buraco, é coberta por uma densa camada impermeável de polietileno, que irá bloquear o contato do lixo com o solo, consequentemente impedindo a propagação do chorume. Também é instalado um sistema de drenagem que irá captar esse líquido e gases derivados da decomposição do lixo. Esses resíduos, então, seram comprimidos e cobertos por uma argila especial, repetindo esse processo quantas vezes necessário até atingir a altura limite do terreno.

     O chorume extraído pelos canos de drenagem irá para um reservatório, onde será tratado, e os gases, que são em sua maioria o gás metano, carbônico e oxigênio, também serão propriamente lidados, sendo o primeiro queimado e os outros dispersados de volta ao ambiente.

 

  Aterros Controlados:

     O aterro controlado é o meio termo entre o lixão e o aterro sanitário. Por ser melhor que o lixão porém menos desenvolvido que o aterro sanitário, isso faz com que este último ainda seja a melhor solução para o tratamento do lixo. No aterro controlado o lixo é posto diretamente no solo, mas difere a um certo ponto pois protege os resíduos de fatores exteriores por causa da camada de terra depositada por cima. Esse recurso impede que o lixo seja tangível a aves e outros animais, porém não protege o solo de contaminação. O lençol freático ainda estará vulnerável ao chorume e os gases ainda conseguirão atingir a atmosfera através de fendas no revestimento, que no caso é a terra.


Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos:

     Em 2 de Agosto de 2010, foi instituída a Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Nº 12.305) que estipulava a desativação de todos os lixões dos municípios brasileiros e a implementação de aterros sanitários. Essa política também designou um prazo de quatro anos para essas reformas, porém em agosto de 2014, muitos municípios ainda não haviam extinguido os seus lixões, e até hoje muitos os retem. Essa política foi uma nobre tentativa de transformar o Brasil em um país mais verde, porém os resultados estavam longe do esperado.
     De forma hipotética, qualquer lixão pode ser transformado em um aterro sanitário, sendo necessário recursos para fazê-lo. No nosso país, aproximadamente 25% dos municípios brasileiros são responsáveis por 80% do lixo produzido no país. Entretanto o foco deve estar nos 75% de munícipios restantes, os quais não têm capacidade técnica ou financeira para atingir as metas estabelecidas pela Lei Nº 12.305. Conclui-se ser esta uma questão com uma resposta, requerendo somente o investimento capaz de desenvolver a solução.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Dia Mundial do Meio Ambiente

No dia 5 de junho, na última semana, foi celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, liderado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Esse ano, o tema é Comércio Ilegal de Animais Silvestres, com o slogan Solte a Fera Pela Vida. Esse crime, além de destruir a biodiversidade e ameaçar os ecossistemas, gera custos para a economia e coloca em risco a vida de seres humanos. O maior objetivo do evento é promover a conscientização da população em geral sobre o tráfico de animais silvestres, buscando encontrar ações individuais ou comunitárias que ajudem os animais em risco.
O crime ambiental supera o comércio ilegal de certos tipos de arma e é o quarto maior empreendimento criminoso depois do tráfico de drogas, da falsificação e do tráfico de seres humanos. O dinheiro perdido nesse crime ambiental é dez vezes maior do que a quantidade de dinheiro gasto para combate-lo.
O tráfico de animais silvestres possui consequências graves para o meio ambiente, como a fragmentação de habitats naturais e ameaças para a fauna nativa, além do sofrimento dos animais. Estima-se que cerca de 38 milhões de animais silvestres sejam retirados anualmente da natureza e que aproximadamente 4 milhões deles sejam vendidos, pois para cada produto animal comercializado são mortos pelo menos três; e desrespeito ao comércio de animais vivos, a cada dez traficados, apenas um sobrevive.




Ironicamente, a tragédia de Mariana completa sete meses na mesma data do Dia Mundial do Meio Ambiente. No dia 5 de novembro de 2015, as barragens Santarém e Fundão, da mineradora Samarco, propriedade da Vale e da BHP Billiton, se romperam. Uma lama grossa e cheia de rejeitos de minérios invadiu o distrito de Mariana e tomou conta do Rio Doce. As consequências foram devastadoras: 19 mortes, quatro feridos, 200 mil pessoas afetadas e/ou desabrigadas e a morte do Rio Doce. Estima-se que 25 mil piscinas olímpicas de lama tenham sido derramadas.



Apesar da lama não ser tóxica, ela trará danos ambientais que podem se entender por décadas. “Comparado ao mercúrio, por exemplo, esse rejeito não é tóxico, já que é formado basicamente por sílica. Ninguém vai desenvolver câncer, nada disso. O risco não é para ao ser humano, mas para o meio ambiente", disse o professor de geologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Cleuber Moraes Brito, que é consultor na área de meio ambiente e mineração. "Essa lama avermelhada deve causar danos em todo o ecossistema da região, impactando por anos seus rios, fauna, solo e até os moradores, no sentido de que o trabalho deles, como a agricultura, pode se tornar impraticável.”
Os danos ao meio ambiente no entorno da barragem podem ser químicos ou de ordem física. O primeiro diz respeito à desestruturação química do solo, não só pelo ferro, mas também por outros metais secundários descartados durante o processo de mineração. "O problema não é o material em si, mas o fato de a lama ter coberto a região, soterrando a vegetação", diz Mauricio Ehrlich, professor de geotecnia da COPPE, da UFRJ. “Esse resíduo é pobre em material orgânico, ou seja, não favorece o crescimento de vegetação. Assim, o que acontece é que essa lama vai começar a secar lentamente, criando uma capa ressecada por cima do solo, dificultando a penetração de água. E, por baixo, esse solo segue mole. Maurício afirma ainda que, além do solo infértil, outro impacto ambiental está relacionado aos rios da região. Com o vazamento, os sedimentos vão sendo arrastados e se depositando nos trechos onde a corrente é mais fraca. Outro risco é o de que muitas nascentes sejam soterradas, e esses impactos nos recursos hídricos afeta sua fauna, principalmente peixes que, além de serem parte importantíssima da cadeia alimentar do rio, também é a fonte de renda e alimento da maioria da população das áreas afetadas. "Mudança no perfil do solo, impacto nos recursos hídricos, na fauna. Quanto tempo a natureza vai demorar para assimilar tudo isso?", questiona o geólogo da UEL.


Saindo um pouco do aspecto ambiental da questão, no mês passado, segundo um relatório da Polícia Federal, a empresa Vale alterou dados sobre a extensão da tragédia e de suas causas para confundir as investigações. A mineradora gerava dois tipos de rejeitos: lama e arenosos. A Vale modificou em documentos oficiais informações sobre o teor de concentração do minério que produzia em Mariana. Com isso, o volume de lama lançado em Fundão ficou menor do que o inicialmente informado pela empresa. Em nota, a empresa admitiu as alterações, mas diz que foram “correções” e que agiu com transparência mas, segundo documentos oficiais da polícia, a intenção era de “iludir as autoridades fiscalizadoras”.

É interessante lembrar, também, que ano passado, a Presidenta Dilma Rouseff decretou rompimento de barragem como desastre natural, assim, diminuindo a culpa da mineradora pela sua irresponsabilidade com a fiscalização das barragens e pelo descaso com as vítimas dessa tragédia. Esse fato, em conjunto com muitas outras trapaças convenientes, trabalham para isentar a mineradora de cumprir com suas responsabilidades, mostrando a podridão do nosso sistema político, que age de acordo com as vontades do capital privado, e não em prol da população.