Raramente encontramos alguém que saiba explicar o processo que o lixo passa a partir do momento que ele é retirado de nossas casas. Ainda menor é o número de pessoas que sabem explicar as diferenças entre os destinos finais dos resíduos, mais especificamente, lixões e aterros. Nesse artigo falaremos sobre essas dessemelhanças, assim como suas consequências ambientais, sociais bem como seu contexto no Brasil.
Lixões:
O melhor jeito de introduzir o assunto seria explicando sobre os clássicos lixões. Os mais comuns ao se pensar em reservatórios de lixo, estes são a opção mais rudimentar quanto ao tratamento de lixo pois, primeiramente, ele não possui nenhum. Em lixões, os resíduos são despejados diretamente no solo, expostos a todos os tipos de fatores externos como animais e catadores, dispensando doenças e causando imenso dano ao ambiente.
Os aterros são mais equipados para lidar com os problemas que o lixo possa causar. Estes estão divididos em aterros controlados e aterros sanitários. O último representa um pedaço de terra corretamente preparado, que segue todas as recomendações técnicas para evitar derramamentos e propagação de gases na atmosfera.
Primeiramente, a terra designada, onde muitas vezes é cavado um buraco, é coberta por uma densa camada impermeável de polietileno, que irá bloquear o contato do lixo com o solo, consequentemente impedindo a propagação do chorume. Também é instalado um sistema de drenagem que irá captar esse líquido e gases derivados da decomposição do lixo. Esses resíduos, então, seram comprimidos e cobertos por uma argila especial, repetindo esse processo quantas vezes necessário até atingir a altura limite do terreno.
O chorume extraído pelos canos de drenagem irá para um reservatório, onde será tratado, e os gases, que são em sua maioria o gás metano, carbônico e oxigênio, também serão propriamente lidados, sendo o primeiro queimado e os outros dispersados de volta ao ambiente.
Aterros Controlados:
O aterro controlado é o meio termo entre o lixão e o aterro sanitário. Por ser melhor que o lixão porém menos desenvolvido que o aterro sanitário, isso faz com que este último ainda seja a melhor solução para o tratamento do lixo. No aterro controlado o lixo é posto diretamente no solo, mas difere a um certo ponto pois protege os resíduos de fatores exteriores por causa da camada de terra depositada por cima. Esse recurso impede que o lixo seja tangível a aves e outros animais, porém não protege o solo de contaminação. O lençol freático ainda estará vulnerável ao chorume e os gases ainda conseguirão atingir a atmosfera através de fendas no revestimento, que no caso é a terra.Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos:
Em 2 de Agosto de 2010, foi instituída a Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Nº 12.305) que estipulava a desativação de todos os lixões dos municípios brasileiros e a implementação de aterros sanitários. Essa política também designou um prazo de quatro anos para essas reformas, porém em agosto de 2014, muitos municípios ainda não haviam extinguido os seus lixões, e até hoje muitos os retem. Essa política foi uma nobre tentativa de transformar o Brasil em um país mais verde, porém os resultados estavam longe do esperado.
De forma hipotética, qualquer lixão pode ser transformado em um aterro sanitário, sendo necessário recursos para fazê-lo. No nosso país, aproximadamente 25% dos municípios brasileiros são responsáveis por 80% do lixo produzido no país. Entretanto o foco deve estar nos 75% de munícipios restantes, os quais não têm capacidade técnica ou financeira para atingir as metas estabelecidas pela Lei Nº 12.305. Conclui-se ser esta uma questão com uma resposta, requerendo somente o investimento capaz de desenvolver a solução.





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