segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Biocombustíveis

Atualmente, enfrentamos diversos problemas ambientais como o aquecimento global e o efeito estufa. Cientistas e pesquisadores buscam formas de tentarmos diminuir e acabar com eles. Uma opção que pode contribuir para a redução da poluição e a liberação de CO2 na atmosfera, é a utilização dos biocombustíveis. Eles são fabricados a partir de vegetais como a o milho, soja, cana de açúcar, e até mesmo a partir de lixo orgânico. Além de serem uma fonte de energia renovável, diminuem a emissão de gases poluentes.

1) Por que biocombustíveis liberam uma quantidade menor de CO2 na atmosfera do que combustíveis fósseis?


2 e 3) Quais são as diferenças entre biocombustíveis etanol e biodiesel? Estes são sustentáveis?




Etanol:
Em relação ao meio ambiente, o etanol reduz as emissões de gases de efeito estufa em cerca de 90% e a poluição atmosférica nos centros urbanos. Além disso, produção tem baixo consumo de fertilizantes e defensivos e apresenta níveis relativamente baixos de perdas do solo. Para a produção de bioetanol, o Brasil conta com a cana-de-açúcar - cujas plantações passam por grande expansão no momento. 
  Em 1975 foi iniciado no Brasil, o Programa Pró-Álcool para diminuir a dependência das importações do petróleo.
Tendo em vista a situação climática e as condições gerais de produção, a produtividade do etanol da cana-de-açúcar por hectare no Brasil (6.800 litros) é quase o dobro da do etanol de milho nos Estados Unidos (3.800 litros), por exemplo. Tendo as matérias-primas uma participação de 60% dos custos, a produção do etanol no Brasil é favorecida.
Num todo, o etanol representou mais da metade de todos os combustíveis para automóveis usados no Brasil em 2008.

Biodiesel:
O biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis como óleos vegetais e gorduras animais. Estimulados por um catalisador, eles reagem quimicamente com álcool.
Esse biocombustível substitui total ou parcialmente o diesel de petróleo em motores de caminhões, tratores, automóveis e motores de máquinas que geram energia.
A produção desse biocombustível saltou de 69 milhões de litros em 2006 para 2,4 bilhões de litros em 2010, tornando o Brasil o segundo maior mercado mundial, somente atrás da Alemanha, que produz e consume biodiesel há muito mais tempo.
No que se refere à sustentabilidade na produção de biodiesel, há certas reservas do ponto de vista ecológico e social quanto ao uso da soja como matéria-prima: plantio de monoculturas por latifundiários, concentração de propriedades e opressão maciça contra pequenos produtores e inúmeros conflitos de terra, uso exagerado de agroquímicos e consequente contaminação da água, alta mecanização e pouca demanda de mão de obra
Do ponto de vista positivo do meio ambiente, o uso do biodiesel apresenta diminuição de monóxido de carbono em 48% e 67% de hidrogênio carburado. No entanto, os presentes dados são relativados durante todo o processo da produção do biodiesel, fazendo que o balanço ecológico desse produto não seja positivo.
Podemos perceber que os biocombustíveis podem nos proporcionar diversas melhorias e vantagens. Porém, eles também trazem certos problemas, o que faz este tema ser bastante controverso. Além de emitirem muito carbono na produção, são de alto custo e ocupariam várias terras que antes eram utilizadas para o cultivo de alimentos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Acordos Climáticos

            Hoje, o problema climático mais agravante que o nosso planeta enfrenta é o aquecimento global, devido aos gases do efeito estufa. A fim de encontrar uma solução, são feitos painéis periodicamente que envolvem países de todo o mundo, onde serão discutidos os papeis que cada nação tem na poluição da Terra e o que está em sua capacidade de melhorar. Disso nasceram os acordos climáticos que em sua maioria implicam diversos países, e tem como objetivo mudar atitudes incorretas e conscientizar as populações.

             Um dos mais importantes acordos foi o Protocolo de Kioyo em 2005 que abrangeu ao todo 173 países, incluindo o Brasil, e foi o primeiro passo para a reduzir a emissão de gases do efeito estufa em uma escala mundial.

             Outro tratado mais recente foi o Acordo de Paris, selado durante a Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas em 2015. Esse acordo foi resultado de um plano de ação para limitar o aumento do aquecimento global a um valor inferior a 2ºC. o Conselho Europeu aprovou também a meta de redução das emissões de gases de estufa. Esta meta de, pelo menos, 40% de redução interna, será atingida coletivamente pela UE com a participação de todos os Estados-Membros até o ano de 2030.


             Na segunda feira passada, dia 12, Michel Temer ratificou o Acordo de Paris, deixando o Brasil muito perto de finalmente estabelecer suas metas para a redução em 37%, até 2025, e em 43%, até 2030 – tendo como parâmetro as emissões registradas pelo País em 2005.

             Para que o Acordo comece a entrar em movimento, é necessário que 55 países também o ratifiquem. No momento são 27 ratificações, incluindo os Estados Unidos a China, e agora o Brasil. Em termos práticos, o nosso país precisa descarbonizar a economia. A luta contra o desmatamento na Floresta Amazônia tem que continuar, assim como a massificação das energias renováveis ( que estão gerando emprego ).


             Em 2009, os países desenvolvidos combinaram que a partir de 2020, dariam 100 bilhões de dólares por ano aos países em desenvolvimento, como forma de ajuda para financiar a transição para energias limpas. Países que também quiserem ajudar, podem ser voluntários.


domingo, 7 de agosto de 2016

Os Três Sistemas Que Estão Destruindo O Planeta Terra



Com exceção das últimas 46 tribos de caçadores-coletores, a raça humana se fez dependente de uma atividade que está destruindo o planeta: a agricultura. Esse não é um plano com futuro, e levará o planeta ao esgotamento total. Em números, uma temporada de plantação destrói cerca de dois mil anos de solo. O que está se esgotando é, também, as águas fósseis; precisamos usar um equipamento de extração de petróleo para extrair água, o que significa que os lençóis d’água estão muito além da profundidade em que as pessoas comuns podem alcançar, e esse é um dos motivos pelos quais pessoas estão abandonando suas terras no Paquistão e na Índia. Você derruba florestas, arranca a pradaria, seca as zonas úmidas, e o que deveria ser um habitat de milhões de criaturas fazendo o trabalho básico da vida, se torna um campo seco com o único propósito de servir à vida humana. É, também, um esgotamento de espécies e de ecossistemas inteiros. Hoje, cientistas debatem se ¹/³ ou metade dos mamíferos estará extinta até o ano de 2050. Na verdade, alguns já debatem sobre a possibilidade de não existir vida no planeta no fim do século. Vivemos em uma cultura que devora com uma apropriação profunda e que está transformando o planeta em pó.
Existem três sistemas sobrepostos que criaram esse sistema de destruição. O primeiro é chamado civilização; isso é, basicamente, pessoas morando em cidades. Mas o que isso realmente significa são pessoas vivendo em densidades que são grandes demais para a terra sustentar. Portanto, a comida, a água, a energia, tudo precisa vir de algum outro lugar. Desse ponto em diante, essa sociedade depende de imperialismo e genocídio. Porque ninguém, voluntariamente, cede suas terras, sua água, suas árvores. Mas já que a cidade acabou com seus recursos, ela precisa consegui-los em outro lugar. E isso, essencialmente, resume os últimos dez mil anos em duas frases. A civilização, como a conhecemos, é a forma mais destrutiva de desenvolvimento humano.
Há aproximadamente 100 mil anos atrás, A Explosão Criativa, nome dado por alguns paleontólogos, aconteceu. E 50 mil anos atrás, tínhamos a cultura humana moderna. As pessoas faziam roupas de pele, bijuterias de ossos, instrumentos musicais, técnicas de caça muito sofisticadas, e arte. E o que estávamos pintando?
 A segunda mais famosa obra de arte é chamada Vênus de Hohle Fels, uma estatueta de Vênus esculpida com mármore das presas de um mamute. Muitas pessoas têm objeções quanto ao nome Vênus; Vênus é a deusa do amor, da beleza, ela é o objeto do olhar e desejo masculino, e isso é muito simplificador. Quando as fotografias dessa escultura foram publicadas no jornal Nature, usaram a legenda “Pin-Up Paleolítica”. O Huffington Post publicou um artigo sobre a escultura com o título “Pornô Pré-Histórico”.
A primeira arte que existiu foi a megafauna e a megafêmea, pois isso representava a vida. As sociedades agrárias (período neolítico), também produziram uma grande quantidade de estatuetas. Em Catalhoyuk, o mais antigo assentamento agrário já escavado, foram encontradas esculturas, e 95% era constituída por figuras animais e 5% por fêmeas humanas. É o mesmo cenário: a megafauna e a megafêmea. Alguns milhares de anos à frente, no Egito, já com uma forte organização patriarcal e militarista, continuávamos a pintar a megafauna e a megafêmea, com representações da Deusa Hathor. Na Grécia Antiga, a megafauna e a megafêmea são representadas pela Deusa Artemis. Quando chegamos ao cristianismo, ainda podemos ver a megafauna e a megafêmea sendo representadas na arte, mais comumente através de Maria e os animais do estábulo (é mais fácil encontrar imagens de Maria sem José do que sem animais).



(Acima, na ordem de cima para baixo: Vênus de Hohle Fels, Deusa Hathor e Deusa Artemis.)

Loren Cordain, um especialista em nutrição Paleolítica, usa a imagem de um campo de futebol para explicar o tempo de existência da terra. O período paleolítico é tudo até o último meio metro. O último meio metro é quando a agricultura começa, e o último 1/5 de centímetro é a era industrial. Ou seja, no último meio metro é onde o desastre começa. Em sete lugares ao redor do mundo, as pessoas começam a mudar sua maneira de viver completamente para uma atividade chamada agricultura.

 (Acima: campo de futebol americano.)

Mas o que é agricultura? Em termos brutos, você pega um terreno, remove toda a vida presente nele, e passa a explorá-lo para uso humano. Isso é agricultura: limpeza biótica. Isso implica em dois problemas: permite que a população humana cresça a números incrivelmente altos, ao invés de compartilhar aquela terra com milhares de outros animais que precisam de um lar. Então, é basicamente uma maneira legal de dizer “extinção em massa”. O outro problema é que estamos destruindo a camada superficial do solo, (camada superior da terra, em que as plantas crescem, um material preto ou marrom escuro constituído por uma mistura de restos orgânicos, argila e partículas de rocha), que é a base da vida.

 (Acima: localidade no Iraque onde, primeiramente, existia uma floresta, depois, uma plantação. Hoje, é assim.)

Com exceção das últimas 46 tribos de caçadores-coletores, a raça humana se fez dependente de uma atividade que está destruindo o planeta. Toby Hemenway, um autor de livros sobre ambientalismo, chama agricultura sustentável de um paradoxo. E Richard Manning, também ambientalista, diz: “Nenhum biólogo, ou qualquer outra pessoa, poderia desenhar um sistema de regulações que faria a agricultura ser sustentável. Agricultura sustentável é um paradoxo. A agricultura se baseia num sistema antinatural de cultivos anuais em monocultura – um sistema que a natureza não sustenta ou pelo menos não reconhece como natural. Nós o mantemos com arados, petroquímicos e toneladas de subsídios porque não há outra maneira de sustentar isso.
Nos sete centros onde a agricultura começou, existe um modo de vida chamado civilização: pessoas vivendo em assentamentos grandes o suficiente que requerem importação de recursos. O padrão da civilização é o mesmo: um centro de poder inchado com colônias ao redor, e o centro extrai o que quiser e leva para o centro de poder.

Sociedades agrícolas sempre acabam militarizadas por três motivos:
  •       A agricultura produz um excedente e também requer um excedente; se pode ser guardado, pode ser roubado, e alguém precisa proteger esse excedente, e pra isso servem os soldados.
  • ·         Imperialismo: já que a agricultura é inerentemente destrutiva, eventualmente há de se conseguir mais terras, mais solo, mais água, mais árvores. Existe uma classe de pessoas cujo trabalho é simplesmente fazer guerras, sair e buscar as coisas que o centro de poder precisa. Agricultura torna isso possível, ao mesmo tempo em que torna isso inevitável.
  • ·    O terceiro é a escravidão. Alguns dos recursos que o centro de poder precisa são humanos e sua mão-de-obra. A agricultura é um trabalho exaustivo; para que alguém tenha tempo livre, é necessário escravos. Nós perdemos a memória cultural disso, pois temos usado máquinas nos últimos 150 anos para fazer esse trabalho. Mas no ano de 1800 (começo da era do combustível fóssil), três quartos completos de pessoas no planeta estavam vivendo em algum tipo de escravidão, seja por dívidas ou simplesmente trabalho forçado.
Nos anos 1950, o planeta já não tinha mais a camada superficial de solo, e o que deveria ter acontecido é o colapso que é sempre parte das civilizações; civilizações duram o período de tempo pelo qual seu solo dura que é normalmente entre 800 e 1500 anos. Em vez disso, a Revolução Verde aconteceu, que era baseada em combustível fóssil. São necessárias 9 calorias de energia para fazer 1 caloria de comida: um sistema completamente insano. É necessário o equivalente de 3 a 4 toneladas de TNT por hectare para uma fazendo americana moderna. O estado de Iowa, sozinho, utiliza o equivalente a 4.000 bombas Nagasaki por ano em atividades agrícolas.

Nutrição deficiente, trabalho extenuante, esgotamento de continentes inteiros, a destruição ecológica é gigante, extinção em massa, população permanentemente crescente e esgotamento contínuo de recursos.
Agora, capitalismo: o segundo sistema que está destruindo o planeta. O capitalismo pega  criaturas vivas em seus lares, os transforma em propriedade privada, e então os converte em commodities (a tradição mais próxima é mercadoria) mortas e as acumula em riqueza. É um esquema de pirâmide da morte.

 (Acima: representação da 'pirâmide da morte'.

 O único problema com essa imagem é que na camada de baixo, na verdade deveriam estar as mulheres e as meninas. Se uma feminista desenhasse esse esquema, seria assim:


Ou seja, um cara grande sentado no cara pequeno que está sentado na mulher, que está trabalhando no sustento básico da vida, que mantém todos vivos. “A mulher é a proletária do proletário”.
Daqui, assumimos que o capitalismo é um problema. O objetivo do capitalismo é a criação de riquezas; não é prover as necessidades humanas. Em primeiro lugar, é um sistema novo; tem cerca de 300 anos. O que move a economia capitalista é uma busca incessante por mais riqueza, o que significa por mais oportunidade de investimento. Então, as pessoas ricas têm capital; elas querem investir em algo que gere mais lucro para elas. A única maneira de fazer isso é se existir um número sempre crescente de oportunidades de investimento. O que isso quer dizer é que as pessoas precisam consumir mais; todo ano elas precisam consumir mais para que existam mais oportunidades de investimento para os ricos. Na verdade, se a economia não crescer cerca de 3% ao ano, ela quebra. Outra forma de dizer isso é que todo o consumo acontecendo no planeta precisa dobrar a cada 20 anos. Porém, o planeta terra tem 197 milhões de milhas quadradas, e nada mais; a terra é finita, e é impossível existir crescimento infinito num planeta finito. Esse sistema é insano e vai consumir a terra até a morte.
“As forças do mercado e a motivação do lucro (motivação das empresas que operam de modo a maximizar seus lucros) são péssimas em distribuição de bens e investimentos de acordo com necessidades humanas”, diz Ted Trainer no livro Towards a Sustainable Economy. O que isso quer dizer é: seja lá o que as pessoas que detém capital querem, é para isso que os investimentos serão destinados. Portanto, os ricos estão fazendo decisões para todos nós, sobre inúmeros assuntos, como alimentação, moradia, cuidados médicos, etc. Se fossemos priorizar necessidades como comida, abrigo e saúde para a população, um planejamento justo e racional com essas finalidades seria completamente contrário às forças do mercado. Na verdade, várias atividades muito lucrativas teriam que ser paradas. Por exemplo: na Índia, existem muitos hectares de terra sendo usados para produzir tulipas, que são vendidas para a Europa. Nesse mesmo país, existem muitas pessoas passando fome. O negócio de tulipas é muito lucrativo, muito mais lucrativo do que produzir comida para pessoas famintas. Se você se importa com direitos humanos, você teria que parar de enviar tulipas para a Europa, redistribuir as terras e deixar que as pessoas famintas cultivem seu próprio alimento. Isso é porque o capitalismo é um problema tão sério: ele é, por definição, a busca pelo lucro, mesmo que essa busca passe por cima de pessoas, animais, florestas, lagos e, basicamente, o planeta inteiro. 22 mil crianças morrem todos os dias por falta de comida e água, e isso só não é mudado pois alimentar essas crianças não produz nenhum lucro, portanto, os investimentos não são direcionados para isso. Fato: existe uma gigantesca disparidade econômica no mundo, e o capitalismo só aumenta essa disparidade.
O terceiro sistema é o patriarcado. O patriarcado pega serem humanos biologicamente machos e cria uma classe de pessoas chamadas homens, que são feitos pela socialização à masculinidade, e esse processo transforma uma criança num menino e, eventualmente, num homem. E isso requere uma certa psicologia. A masculinidade requer três coisas: entitlement (a tradução mais próxima é legitimidade, como um direito de ter ou possuir algo), adormecimento emocional e uma dicotomia entre o eu e o outro. E, claro, o primeiro outro desprezado são sempre as meninas, e é por isso que meninos usam esse adjetivo para ofender seus amigos: “você age como uma menininha”, “você joga como uma menina”, ou em inglês, onde pussy (vagina) é comumente usada como xingamento: “you act like a pussy” se traduz, literalmente, para “você age como uma buceta”. Uma vez que esse processo está em curso e a categoria de “mulher nojenta” foi criada em seus cérebros, você pode substituir isso em uma sociedade hierárquica; qualquer grupo que precisa ser subordinado pode preencher a lacuna ‘mulher’. E a masculinidade, obviamente, é essencial para qualquer cultura militarizada: essa é a psicologia necessária nos soldados: você somente matará se o impulso humano de cuidar foi reprimido ou suprimido e esse processo psicológico de dicotomia entre o eu e o outro estiver enraizado no homem.
É central para a masculinidade a violação: homens se tornam homens de verdade rompendo barreiras. E para essa psique de entitlement, o único motivo pelo qual o “não” existe é porque é sexualmente excitante ultrapassá-lo a força. Essa é a genialidade do patriarcado; ele não apenas naturaliza a opressão; ele sexualiza atos de opressão. Ele erotiza dominação e subordinação, pega essa erotização de dominação e subordinação e institucionaliza-a em masculinidade e feminilidade. Naturaliza, erotiza e institucionaliza. A genialidade do feminismo é que nós descobrimos isso.
Feminilidade é apenas o conjunto de comportamentos que são, em essência, submissão ritualizada. A socialização feminina é um processo de repressão psicológica, e esse processo se chama aliciamento e cria uma classe de vítimas obedientes/complacentes. Através da história, essas práticas incluíram deformação de pés (aconteceu no oriente médio, onde mulheres eram obrigadas a usar sapatos extremamente pequenos para seus pés, pois era algo feminino e obrigação das mulheres) e mutilação genital feminina (acontece na Ásia e na África, e o objetivo é tornar fisicamente impossível que meninas e mulheres sintam qualquer tipo de prazer no ato sexual, pois seu único papel é de incubadora humana). A feminilidade, na verdade, é apenas a psique traumatizada demonstrando aquiescência. Isso não e natural, não é criação de Deus. É um sistema social bruto e corrupto.


"Não se nasce mulher; torna-se."
- Simone de Beauvoir
  
“Tem se tornado comum em alguns grupos/coletivos de ativismo noções de pós-modernismo, e isso inclui a ideia de que gênero é, de alguma forma, um binário. Gênero não é um binário. Gênero é uma hierarquia. É global em alcance, sádico em prática e assassino em realização. Assim como raça, assim como classe. Gênero demarca as barreiras geopolíticas do patriarcado – que quer dizer que nos divide ao meio. Esse meio não é horizontal – é vertical. E, caso você tenha perdido essa parte, homens estão sempre no topo.” Disse Lierre Keith, na conferência RadFem Reboot, em 2012.
Gênero dita quem pode ser humano e quem pode ser machucada. E isso precisa ficar bem claro porque os homens sabem do que são capazes; eles sabem do sadismo que construíram em seu sexo, então o que dizem uns aos outros é “faça isso à ela, não à mim, o ser humano; à ela, o objetivo, a coisa”. Então, eles precisam deixar bem claro, tanto visual quanto ideologicamente, quem é ela. E é muito fácil fazer isso se você estabelecer que “Deus a fez assim”, ou “a natureza a fez assim”, ou “ela a fez assim, ela pediu por isso”. Porque nós sempre pedimos. O estupro, o espancamento, a pobreza, a prostituição; até o assassinato. Nós pedimos por tudo isso. Todas essas práticas são chamadas, por Andrea Dworkin (escritora feminista radical norte americana), de barricada do terrorismo sexual, e o gênero é o que demarca esses limites. As mulheres vivem dentro da barricada, os homens vivem fora da barricada. Na verdade, os homens construíram essa barricada, punho por punho e foda por foda. São exatamente essas práticas violentas de violação que constroem uma classe de pessoas chamadas ‘mulheres’; é isso que homens fazem para nos ‘quebrar’ e para nos manter ‘quebradas’. Isso é gênero: as que são quebradas e os que as quebram.
Aqui, nesse ponto, é onde esses três sistemas: civilização, capitalismo e patriarcado se fundem; nesse imperativo masculino de violência, e esse imperativo envolve violar os limites sexuais das mulheres e meninas, envolve violar os limites culturais e políticos dos indígenas, envolve violar limites biológicos de rios e florestas, envolve violar os limites genéticos de outras espécies (ex.: salmão transgênico) e, ultimamente, qualquer limite pertencente ao planeta terra. Você junta tudo isso e tem um sistema e uma cultura sociopata. O entitlement, o sadismo, a cobiça infinita por dominar, nada disso tem um fim. O que estamos alcançando é um completo colapso biótico, começando com os menores de nós: as populações de plankton estão entrando em colapso porque os oceanos estão muito ácidos por causa de todo o carbono. Os planktons, apesar de muito pequenos, são responsáveis por cerca de 2/3 de todo o oxigênio existente no planeta. Portanto, se o oceano entrar em colapso, nós entramos em colapso.
O que fazer? Existem alguns conceitos importantes para organizar um movimento sério de resistência. Primeiro: movimentos de resistência não simplesmente acontecem. Movimentos levam horas de organização através de vidas inteiras, ás vezes, gerações. Exige uma dedicação tremenda, habilidades estratégicas, muita coragem. Acreditar que resistência irá magicamente acontecer nos condena às margens, esperando por uma revolução que jamais chegará.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Camada de Ozônio

          Na última semana, um artigo foi postado na aclamada revista "Science" com o tópico da regeneração da camada de ozônio sobre a Antártida que andou acontecendo nas nas últimas décadas. Isso está fortemente relacionado com o Protocolo de Montreal, no qual foi instituído medidas que iriam banir os compostos orgânicos que causaram grande parte do dano, os CFC's ou clorofluorcarbonos. Neste post iremos explicar todo esse processo pelo lado químico por meio ilustrações didáticas e inéditas.
CFC: 
                Os Clorofluorcarbonetos, também comumente chamados de CFCs, são haletos orgânicos (apresentam halogênios ligados à cadeia carbônica) formados, como o próprio nome diz, por cloro, flúor e carbono. Na década de 70 foi descoberto o efeito nocivo que esses compostos tem ao serem usados na fabricação de refrigeradores, spray como desodorantes e até aparelhos condicionadores de ar. Mais especificamente, esses compostos, ao entrarem em contato com o ozônio (O3) reagem e o transformam em oxigênio (O2). Pelo O2 ser mais fraco que o O3, ele não é adequado para proteger a Terra de raios ultra-violeta,por exemplo, formando uma seção vulnerável na camada, um buraco.


          Assim, os átomos de cloro, ClO resultante, irá continuar a reagir com os átomos de oxigênio disponíveis, repetindo esse processo. Um só átomo pode resultar na degradação de cerca de um milhão de moléculas de ozônio.

PROTOCOLO DE MONTREAL:
                Em 1987, foi criado o Protocolo de Montreal na Convenção de Viena, que buscava formalizar um acordo em prol )da proteção da camada. Ele pretendia banir a futura propagação de Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio (SDO's), obrigando os países participantes a reduzir a produção e consumo de SDO's até a sua erradicação. O Brasil é uma das duas centenas de nações envolvidas no protocolo. 


          Serão desenvolvidas atividades para promover a substituição dos equipamentos de refrigeração antigos, seja pela aquisição de equipamentos novos, seja pela reforma dos equipamentos usados e substituição dos CFCs por fluidos alternativos.

         Outras menções importantes são o uso de Brometo de Metila e HCFC, sendo ambos  alternativas mais ecológica aos CFC's, porém ainda podem causar dano devido aos halogênios em suas composições.


          As Nações Unidas estimaram em um relatório anterior que, sem o pacto, em 2030, dois milhões de casos extras de câncer de pele seriam registrados por ano no mundo.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Influências do TEDx na Sustentabilidade Ambiental

              O TEDxYouth@PortoAlegre foi um evento organizado por voluntários do segundo ano do ensino médio do Colégio Anchieta de Porto Alegre, com a participação de conselheiras do terceiro ano e da curadoria formada por professores Anchietanos e da Unisinos. O tema do evento foi Pensamento em Movimento, no espírito de compartilhar ideias e experiências, visando inspirar os alunos. O TEDxYouth@PortoAlegre contou com a participação de speakers de três estados, alunas, funcionários e professores do Anchieta.
              A educação social e ambiental é, sem dúvida, indispensável no desenvolvimento do jovem, e o TEDxYouth@PortoAlegre traz um pouco disso pra dentro da escola. É importante que o currículo escolar, além das matérias obrigatórias, seja composto por atividades ligadas ao ambientalismo, ao trabalho voluntário, à compreensão da sociedade, da política e da economia, além de outras áreas não contempladas.
              Ambientalismo e trabalho voluntário: esses foram os temas das talks de Bruna Amorim e Sofia Calderano. São assuntos que, sem dúvida, exercem um grande impacto na sociedade, principalmente em tempos de um individualismo egoísta, seja para/com pessoas ou meio-ambiente.



             Bárbara, de Mossoró, no Rio Grande do Norte, falou sobre seu projeto ecológico, que consiste na reutilização do saco que envolve o cimento na fabricação de blocos ecológicos: “tijolos” resistentes usados na construção civil. O projeto rendeu a jovem um convite para o Fórum Mundial de Ciência, em Londres, além de uma nova consciência sobre questões ambientais que afetam o Brasil e o mundo. Bárbara falou sobre a quantidade de lixo produzida pelos seres humanos e questionou essa necessidade culturalmente construída de consumir e, logo, produzir lixo.
                 Dar visibilidade a um tema como esse, ainda mais no meio jovem, é de suma importância para o futuro do planeta. Por quê? Bom, os estudantes que assistiram a talk da Bárbara desenvolveram, nem que seja um pouquinho, uma nova consciência ambiental. Talvez passem a prestar mais atenção no lixo que produzem, seja ele em casa, na escola, no shopping; talvez passem a se policiar quanto ao desperdício de água; talvez se interessem bastante pelo assunto e busquem um conhecimento mais aprofundado; talvez passem a conscientizar as pessoas com as quais convivem. A fala de Bárbara foi, com certeza, um gatilho para novas pequenas ações que, posteriormente trabalhadas em sala de aula, podem ter grandes resultados.



             A mentalidade de que pequenas ações podem mudar o mundo é importantíssima para inspirar pessoas a mudar seus hábitos e os hábitos da sua comunidade, mas devemos sempre manter o senso crítico de que vivemos em um mercado voltado para o consumo. Isso quer dizer que somos, desde pequenos, influenciados – treinados – para consumir e produzir lixo; e não se importar com esse lixo. E essa superestrutura não será mudada com pequenas ações, embora elas sejam importantes.



             Sofia começou falando sobre sua trajetória no trabalho voluntário, desde sua primeira jornada de construção até sua quarta. Isso mesmo, Sofia já participou de quatro jornadas de voluntariado. A jovem abordou algumas questões sociais em sua talk, como a vulnerabilidade da população pobre do Brasil, as barreiras que são derrubadas diariamente pelos moradores de periferia – desde preconceitos e estigmas até fome e cansaço – e comentou sobre a meritocracia. Em sua talk, Sofia disse:


“Durante minhas jornadas de construção, conheci pessoas maravilhosas; pessoas realmente boas, com um coração bondoso, sempre dispostas a ajudar e a superar obstáculos. Elas mereciam tudo de bom que a vida tivesse para oferecer; mereciam o mundo. Mas viviam em condições extremamente precárias, em casas improvisadas. E foi ali que eu percebi que eu tenho a chance de estudar numa das melhores escolas do Rio de Janeiro, tenho a garantia de café, almoço e janta, tenho suporte e estrutura familiar e econômica – não porque mereço, mas porque tive sorte. O que me separa daquelas pessoas é a sorte.”
           Sofia, sem dúvida, já mudou a vida de muitas comunidades em situação de vulnerabilidade. Já entrou e saiu da vida de muitas pessoas que a TETO ajudou. Mas disse que o trabalho voluntário não muda apenas o ambiente externo e a vida de outras pessoas, muda a do voluntário também. Muda a forma de ver o mundo, muda a forma de tratar as pessoas, de cuidar da natureza – muda a forma de viver. O voluntariado é como uma nova vida, uma vida melhor.
           A jovem fechou sua talk com a seguinte pergunta: o que você vai fazer pra mudar o mundo?


sexta-feira, 24 de junho de 2016

A distribuição e o consumo de água doce no Mundo e no Brasil

            O volume total de água na Terra não aumenta nem diminui, é sempre o mesmo. A água ocupa aproximadamente 70% da superfície do nosso planeta, mas 97,5% dessa água é salgada. Assim, apenas 2,5% da água no mundo é doce. Dessa parcela de água doce, 68,9% encontra-se nas geleiras, calotas polares ou em regiões montanhosas; 29,9% em águas subterrâneas; 0,9% compõe a umidade do solo e dos pântanos e apenas 0,3% constitui a porção superficial da água doce presente em rios e lagos.
            A água doce não está distribuída uniformemente pelo globo. Sua distribuição depende dos ecossistemas que compõem o território de cada país. Segundo o Programa Hidrológico Internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), na América Do Sul encontra-se 26% do total de água doce disponível no planeta e apenas 6% da população mundial.
O Brasil registra elevado desperdício: de 20% a 60% da água tratada para consumo se perde na distribuição, dependendo das condições de conservação e das redes de abastecimento. Além dessa perda de água no caminho entre as estações de tratamento e o consumidor, o desperdício também é grande nas nossas residências.



Uso Industrial

              As indústrias respondem por cerca de 22% do consumo total de água, utilizando grandes quantidades de água potável. Dependendo do ramo industrial e da tecnologia adotada, a água resultante dos processos industriais pode carregar resíduos tóxicos, como metais pesados e restos de materiais em decomposição. Estima-se que a cada ano acumulem-se nas águas de 300 mil a 500 mil toneladas de dejetos provenientes das indústrias.
              Mas não são apenas as indústrias químicas que têm esse efeito no meio-ambiente. Quando a água contaminada de, por exemplo, uma fábrica de salsichas, é lançada nos rios e no mar, pode provocar a morte dos peixes. Mesmo quando sobrevivem, podem acumular em seu organismo substâncias tóxicas que causam doenças, se forem ingeridos por seres humanos.


Uso Agrícola

              As chuvas nem sempre são suficientes para suprir a umidade necessárias para a produção agrícola. A alternativa para os produtores é a irrigação, atividade que consome mais de 2/3 da água doce utilizada no planeta. Além do alto consumo, em grande parte provocado pelo mal aproveitamento, que leva ao desperdício, a agricultura também afeta drasticamente a qualidade dos solos e dos recursos hídricos. Os agrotóxicos e fertilizantes empregados na agricultura podem ser carregados para os corpos d’água, causando a contaminação, tanto da água superficial quanto da subterrânea.



Cenário de Instabilidade Mundial

              Vivemos em um cenário de instabilidade mundial – tanto política e social quanto economicamente. A Inglaterra acaba de deixar a União Europeia; guerras no Oriente Médio; grande fluxo de imigrantes dos países do norte da África para a Europa; crise política e econômica no Brasil; ascensão da direita conservadora no mundo; reformas e protestos a respeito das leis trabalhistas na França; crescimento dos índices de violência mundiais e muitos outros conflitos. Todos esses acontecimentos, particulares da época na qual vivemos, causam uma instabilidade que é agravada por fatores constantes na história, como a concentração de capital nas mãos do 1% mais rico do planeta (50% de toda a riqueza do mundo pertence ao 1% mais rico, enquanto os outros 99% da população fica com os outros 50%), a mais-valia, a exploração do trabalhador, o sistema educacional vigente que trabalha para manter o status quo exatamente como está, etc.
Podemos passar horas tendo devaneios sobre de quem é a culpa da crise hídrica e ambiental do planeta, ou podemos ir direto ao ponto: o atual meio de produção e de acumulação de riquezas vigente, o capitalismo.
              O cenário de instabilidade é agravado pela crise ambiental, hídrica e energética, que amadureceu em função das relações predatórias que o capitalismo estabelece com a natureza, desafiando a sustentabilidade dos recursos naturais que ancoram o processo produtivo e evidenciando a irracionalidade do modo e das relações de produção burguesas, que visam exclusivamente a maximização dos lucros. “O capitalismo gera o seu próprio coveiro.” O capitalismo é um modo de produção que, para sobreviver, precisa necessariamente de lucro. Para atingir esse lucro, esse modo de produção necessita de recursos naturais como fonte de produção. O capitalismo se estabelece pelos recursos naturais. O proprietário dos meios de produção precisa de recursos para produzir e por em ciclo seu jogo econômico. O problema do meio ambiente, em um ponto de vista marxista, poderia estar inteiramente ligado a um problema do capitalismo. O capitalismo destrói o meio ambiente. Quanto mais uma indústria cresce, mais ela precisa retirar do solo uma quantidade de material que não é recomposto devidamente. Basta lembrar o desmatamento que está acontecendo no Brasil e está afetando o sudeste brasileiro.
              A classe proletária deve ser conscientizada sobre esses conflitos e acontecimentos e, ao mesmo tempo, acordar para a realidade da exploração que o trabalho assalariado impõe sobre ela e usar isso a seu favor para, finalmente, acabar com o sistema de opressão social, política, econômica e ambiental mais fatal de todos os tempos: o capitalismo.


A Indústria que mais contribui para o Aquecimento Global

              O Brasil é o maior exportador de carnes do mundo, o que corresponde a 24% da sua produção. Nosso país possuía, em 2006, cerca de 190 milhões de cabeças de gado e a demanda por carne bovina não é só externa, mas interna também. Com certeza, isso gera muitos lucros para o nosso país.
              Mas, o que dizer dos impactos sobre o meio ambiente? Será que o consumo de carne agrava problemas ambientais, tais como o efeito estufa e o aquecimento global?

              Desmatamento: as florestas são derrubadas a fim de abrir pastagens para os rebanhos. Para limpar os terrenos, são realizadas queimadas, o que emite os gases-estufa e representa o maior fator de emissão desses gases no Brasil. Em terras brasileiras, isso ocorre na Amazônia e no Cerrado, sendo que 75% do desmate na Amazônia e 56% do desmate no Cerrado estão associados à pecuária. Além de gerar esses gases, o desmatamento destrói habitats naturais, provoca a extinção de espécies, causa a degradação ou erosão dos solos, desencadeia inundações, diminui os recursos hídricos (porque possuirá menos tamponamento florestal), diminui a ocorrência de chuvas, entre outros problemas.


Queimadas: as queimadas também são realizadas periodicamente para renovar a vegetação das pastagens, emitindo mais gases-estufa.


Digestão dos Animais: a fermentação entérica, isto é, a formação de gases no sistema digestivo do boi, emite metano para a atmosfera, por via oral e fecal.



Outros: existem outros fatores que são mais difíceis de serem mensurados, mas que também contribuem em muito para o aquecimento global, tais como o transporte da carne, do gado, de rações para os rebanhos, emissões dos solos de pastagens degradadas ou mal manejadas, emissões vindas da produção da ração, emissões do processamento industrial primário da carne que será consumida e assim por diante.

              Tudo isso representou um total de 812,9 toneladas de CO2 emitidos pela pecuária brasileira no ano de 2008. Assim, quanto maior for o consumo de carne, maior será o rebanho criado e, consequentemente, maior o prejuízo para o meio ambiente. 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Lixões, Aterros Controlados, Aterros Sanitários

     Raramente encontramos alguém que saiba explicar o processo que o lixo passa a partir do momento que ele é retirado de nossas casas. Ainda menor é o número de pessoas que sabem explicar as diferenças entre os destinos finais dos resíduos, mais especificamente, lixões e aterros. Nesse artigo falaremos sobre essas dessemelhanças, assim como suas consequências ambientais, sociais bem como seu contexto no Brasil.


Lixões:

   O melhor jeito de introduzir o assunto seria explicando sobre os clássicos lixões. Os mais comuns ao se pensar em reservatórios de lixo, estes são a opção mais rudimentar quanto ao tratamento de lixo pois, primeiramente, ele não possui nenhum. Em lixões, os resíduos são despejados diretamente no solo, expostos a todos os tipos de fatores externos como animais e catadores, dispensando doenças e causando imenso dano ao ambiente.








Como não há processos para a preservação do terreno em um lixão, o líquido resultante da decomposição do lixo, o chorume, penetra diretamente no solo, podendo chegar ao lençol freático, contaminando a fonte de água da determinada cidade onde se encontra.


Aterros Sanitários:

     Os aterros são mais equipados para lidar com os problemas que o lixo possa causar. Estes estão divididos em aterros controlados e aterros sanitários. O último representa um pedaço de terra corretamente preparado, que segue todas as recomendações técnicas para evitar derramamentos e propagação de gases na atmosfera.


Primeiramente, a terra designada, onde muitas vezes é cavado um buraco, é coberta por uma densa camada impermeável de polietileno, que irá bloquear o contato do lixo com o solo, consequentemente impedindo a propagação do chorume. Também é instalado um sistema de drenagem que irá captar esse líquido e gases derivados da decomposição do lixo. Esses resíduos, então, seram comprimidos e cobertos por uma argila especial, repetindo esse processo quantas vezes necessário até atingir a altura limite do terreno.

     O chorume extraído pelos canos de drenagem irá para um reservatório, onde será tratado, e os gases, que são em sua maioria o gás metano, carbônico e oxigênio, também serão propriamente lidados, sendo o primeiro queimado e os outros dispersados de volta ao ambiente.

 

  Aterros Controlados:

     O aterro controlado é o meio termo entre o lixão e o aterro sanitário. Por ser melhor que o lixão porém menos desenvolvido que o aterro sanitário, isso faz com que este último ainda seja a melhor solução para o tratamento do lixo. No aterro controlado o lixo é posto diretamente no solo, mas difere a um certo ponto pois protege os resíduos de fatores exteriores por causa da camada de terra depositada por cima. Esse recurso impede que o lixo seja tangível a aves e outros animais, porém não protege o solo de contaminação. O lençol freático ainda estará vulnerável ao chorume e os gases ainda conseguirão atingir a atmosfera através de fendas no revestimento, que no caso é a terra.


Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos:

     Em 2 de Agosto de 2010, foi instituída a Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Nº 12.305) que estipulava a desativação de todos os lixões dos municípios brasileiros e a implementação de aterros sanitários. Essa política também designou um prazo de quatro anos para essas reformas, porém em agosto de 2014, muitos municípios ainda não haviam extinguido os seus lixões, e até hoje muitos os retem. Essa política foi uma nobre tentativa de transformar o Brasil em um país mais verde, porém os resultados estavam longe do esperado.
     De forma hipotética, qualquer lixão pode ser transformado em um aterro sanitário, sendo necessário recursos para fazê-lo. No nosso país, aproximadamente 25% dos municípios brasileiros são responsáveis por 80% do lixo produzido no país. Entretanto o foco deve estar nos 75% de munícipios restantes, os quais não têm capacidade técnica ou financeira para atingir as metas estabelecidas pela Lei Nº 12.305. Conclui-se ser esta uma questão com uma resposta, requerendo somente o investimento capaz de desenvolver a solução.